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A aplicação que já pôs quase um milhão de portugueses a aprender línguas

Ferramenta gratuita tem 200 milhões de utilizadores. E já lançou teste reconhecido pelas maiores universidades dos EUA.

Quase um milhão de portugueses – mais concretamente: 996 547, de acordo com os dados enviados ao DN pela empresa – já descarregaram e fizeram o registo no Duolingo, a mais popular app educativa do planeta, com um total de 200 milhões de utilizadores a nível mundial e prémios da Apple e da Google. Atualmente, nos Estados Unidos, já há mais alunos a aprender línguas através da aplicação do que em escolas.

Lançada em 2012 por Luís von Ahn, inventor das ferramentas CAPTCHA e reCAPTCHA, entretanto vendidas à Google, esta aplicação nasceu como um projeto de cariz social, com a missão de democratizar o acesso ao ensino de línguas. Mas, hoje, o que começou como uma pequena startup já é uma empresa avaliada em 600 milhões de euros, que ameaça abalar o mercado convencional das escolas de línguas e dos testes de certificação de aptidões linguísticas, indispensáveis para o acesso ao mercado de trabalho e ao ensino superior em muitos países.

O segredo do sucesso, defendeu ao DN a brasileira Gina Gotthilf, vice-presidente da empresa para o Crescimento, é a combinação do custo zero com uma experiência que tem uma abordagem lúdica mas onde foram investidos muitos recursos para garantir que se conseguia “ensinar de facto” os utilizadores.

“Sendo gratuito, o Duolingo permitiu que qualquer pessoa pudesse experimentar e ver se tinha interesse. “No barrier to entry”, como se diz em inglês”, explicou. “Mas o que julgo ser a grande ideia do Duolingo é que é um jogo. Foi feito assim desde o início. Todas as semanas testamos novas features do jogo, para tornar a experiência mais divertida e conseguimos medir, em termos de percentagem, o número de pessoas que provavelmente voltam.”

Como num jogo, em vez de aulas os alunos têm etapas a superar, podendo uma lição levar “apenas cinco minutos” ou o tempo que o utilizador lhe queira dedicar. Características que, explica, não aparecem apenas com o objetivo de tornar a aplicação mais apelativa mas também com a meta de garantir que quem entra fica até ao fim. “As pessoas não querem estudar”, diz. E aprender uma língua pode ser “super aborrecido”.

“Para aprender uma língua temos de estudar por um período muito longo. Não podemos simplesmente fazê-lo num fim de semana ou numa semana. Têm de ser meses ou anos, por vezes”, diz. “Por isso, temos de ficar mais motivados. E quando há uma aplicação que está a competir com o Facebook, com o Instagram, e com todas essas aplicações divertidas, é muito diferente de estar na escola, com o professor a dizer-nos para fazermos alguma coisa, e termos trabalhos de casa. Isto são as pessoas por sua própria conta.”

O que não significa que a ferramenta educativa – ou o jogo, como preferirmos chamar-lhe – não tenha uma boa dose de interatividade. Os utilizadores podem entrar para clubes, criando pequenas comunidades que se desafiam e motivam mutuamente; além de testar as competências de leitura e de escrita, o utilizador é permanentemente testado pela aplicação na sua oralidade. E existe até um chatbot, com o qual pode testar as suas competências numa das línguas ensinadas: inglês, espanhol, francês e alemão. “É uma forma de ajudar as pessoas a superarem a timidez natural que existe quando têm oportunidade de falar uma língua com um nativo dessa língua”, explica Gina Gotthilf.

Estratégias que têm também cativado muitos professores, levando à criação de uma aplicação dedicada ao ensino, chamada Duolingo for Schools.

Os próximos passos da empresa passam por consolidar os seus testes de línguas certificados, já reconhecidos por muitas universidades de topo de vários países, que são feitos em casa e custam um quarto dos da concorrência. E equacionar a expansão para outras áreas de aprendizagem, como as ciências e a matemática (ver entrevista).

Um percurso que, segundo a vice-presidente para o Crescimento, será feito respeitando a premissa de oferecer um curso gratuito da primeira à última aula.

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