Cabo Verde registou desde o início do ano até esta quinta-feira (07.09.), 184 casos de paludismo. Os números são os mais altos desde 1991, segundo dados do Ministério cabo-verdiano da Saúde.

Na capital do país (Cidade da Praia) foram notificados 170 casos de paludismo, sendo 14 importados dos países endémicos.

Sem entrar em alarmismos, o coordenador nacional de luta antivetorial, António Moreira, diz que são números anormais.

“Se comparar com os anos anteriores é evidente que não estávamos habituados com esses números. Para os países endémicos pode não ser nada, mas para nós é um número significativo”, sublinhou.

Cabo Verde tem como meta erradicar a malária do arquipélago até 2020. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o país tenha reduzido a sua taxa de incidência e de mortalidade associada à malária em mais de 40% no período decorrente e prevê também que tenha capacidade de eliminar a transmissão regional até 2020.Recorde-se que em janeiro deste ano, o país foi distinguido pela Aliança de Líderes Africanos contra a Malária com o prémio Excelência 2017, pelos resultados alcançados no combate à doença.

Casos de paludismo principalmente na época das chuvas

Para António Moreira, Cabo Verde continua a registar “casos de paludismo sobretudo depois do período das chuvas (julho a outubro). Nunca conseguimos zerar os casos de paludismo no país, sobretudo na Cidade da Praia”.

As autoridades cabo-verdianas ainda não têm uma explicação para esse surto de paludismo. Por isso mandaram fazer um estudo.

Uma das hipóteses admitidas é que o mosquito vetor terá adquirido resistência à inseticida utilizada na pulverização na campanha antilarval há uma dezena de anos.”Poderá ser e poderá também não ser. Anualmente utilizamos esse produto, sabemos que há um risco de o vetor criar resistência a este tipo de inseticida. Para confirmar esta teoria é preciso um estudo científico e este vai-nos dar mais elementos para percebermos o que está na origem desse fenómeno anormal”.

Mutação do mosquito vetor

O coordenador nacional de luta antivetorial nota que tem havido mutação do mosquito vetor do paludismo e adaptação a nova realidade.

“Ultimamente temos notado que o vetor tem mudado em termos de habitat. É um vetor que se encontra mais na água parada e água limpa”, diz o especialista.

Entretanto, o ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, contesta que tenha havido um baixar de guarda na luta antivetorial, como tm afirmado algumas fontes ligadas à oposição política caboverdeana.

“Não acho que as autoridades tenham baixado a guarda, nós temos uma situação de paludismo sobretudo urbano que acompanha o desenvolvimento de uma cidade em rápido crescimento”.Arlindo do Rosário, confirmou recentemente à imprensa que o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) cabo-verdiano, com apoio da OMS e do BAD (Banco Africano de Desenvolvimento), está a realizar um estudo sobre a capacidade de resistência dos mosquitos aos produtos utilizados, bem como ao mapeamento dos viveiros.

Apelos à população

Numa nota enviada à imprensa, o Governo recomenda medidas de proteção individual e coletiva para evitar o aumento do número de casos de paludismo nos próximos meses. Ao mesmo tempo o Executivo tem apelado ao total engajamento da população e das instituições nessa luta.

A malária, também conhecida por paludismo, é uma doença provocada por um parasita do género Plasmodium, que é transmitido aos seres humanos através da picada de uma fêmea do mosquito Anopheles.

Ainda sem vacina, é uma doença “instável”, de transmissão sazonal, cujo maior período vai de julho a dezembro, toda a população é vulnerável, mas tem baixo risco de epidemia.