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El País escreve sobre Isaltino, “o presidente corrupto que os portugueses adoram”

Jornal espanhol dedica artigo insólito ao presidente eleito de Oeiras, chamando-lhe “frauderman”

Este domingo, o El País colocou publica um artigo da autoria do jornalista Javier Martín del Barrio cujo tema é bem conhecido dos portugueses: como é que Isaltino Morais, condenado por fraude fiscal e abuso de poder a sete anos de prisão, foi novamente eleito para a presidência da Câmara de Oeiras.

O artigo não se alonga em explicações, até porque o título, sucinto, diz tudo: “Isaltino, o presidente corrupto que os portugueses adoram”. No texto, o jornalista começa por expor a perplexidade com os cartazes da campanha para as autárquicas, que diziam que “Isaltino voltou”. “Como se podem ganhar umas eleições autárquicas dizendo que voltas se não és o Super Homem?”, questiona o artigo, que continua: “Depois de contados os votos, se Isaltino não é o Super Homem, parece. Isaltino Morais conseguiu no domingo passado 42% dos votos localidade, Oeiras”.

O El País opta depois por traçar o percurso de Isaltino, escrevendo que se não fosse a pena de prisão, o governante nunca teria deixado o poder desde que se apresentou às primeiras eleições, em 1985. “Ganhou todas as eleições municipais e deixou a autarquia em 2002 para ser nomeado ministro das Cidades num governo PSD de Durão Barroso. Durou no governo pouco tempo, o que levaram os jornais a descobrir-lhe contas ocultas na Suíça, razão pela qual deixou o ministério e o seu partido, o PSD”.

O texto continua, elencando os recursos apresentados pelo autarca de Oeiras, que em 2009 foi condenado a sete anos de prisão, multa de quase meio milhão de euros e perda do cargo público por fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva e branqueamento de capitais. “Em resumo, era condenado por conceder licenças às construtoras e aparecer dinheiro numa conta suíça de Isaltino”, escreve o El País.

O artigo esclarece depois que Isaltino entrou na prisão em 2013, onde passou 14 meses, período em que deixa de ser autarca. Sai em liberdade condicional com oposição do Ministério Público, assinala o jornal espanhol, frisando que a justiça não acredita que tenha ficado demonstrado que Isaltino não virá a cometer delitos futuros. “Isaltino, frauderman, já tem maioria absoluta em Oeiras, um município metido numa bolha imobiliária para felicidade do seu presidente”.

A peça termina com uma comparação: “longe de Oeiras, nos mesmos dias das eleições, o partido que governa Moçambique, ex-colónia portuguesa, a Frelimo, dizia que os corruptos do partido não deviam ser ostracizados, muito pelo contrário, era necessário reintegrá-los. Isaltino é o grande integrado de Portugal”.

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