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Lisboa : Idoso vivia numa casa arrendada desde os anos 60. Foi hoje despejado

Aos 80 anos, Manuel Farinha foi despejado esta quinta-feira, de uma casa arrendada em Benfica. “A chamada justiça é implacável”, lamenta a organização Habita.

Manuel Farinha tem 80 anos. Vivia sozinho numa casa arrendada, na zona de Benfica, desde os anos 60. Contudo, após desentendimentos com o senhorio, que acabaram em tribunal, o senhor Manuel Farinha acabou por ser despejado esta quinta-feira.

A história é contada pela Habita, uma organização sem fundos lucrativos. Numa publicação no Facebook, publicada ontem em forma de alerta, a Habita referia que em causa esteve o facto de o senhorio querer aumentar a renda ao senhor Manuel, cuja pensão é de 390 euros.

Como o inquilino não aceitou o aumento, o senhorio recorreu à justiça, tendo o senhor Manuel recebido uma notificação do tribunal. Na sequência disso, pediu um advogado oficioso à Segurança Social que, refere a Habita, demorou mais de seis meses a responder.

Tudo se encaminhou então para que o processo andasse sem que o senhor Manuel se conseguisse defender. Em janeiro de 2017, chegou a decisão e a advogada, sublinha a organização que conhece a história de perto, “também não ligou nenhuma ao assunto”.

Esta quinta-feira, o senhor Manuel foi realmente despejado. Embora o octogenário quisesse permanecer em Benfica, a solução encontrada, pela vereadora da Habitação, Paula Cristina Marques, e a Santa Casa, foi a de o levar para uma residência de idosos, fora de Benfica.

Segundo a Habita, ainda se tentou a possibilidade de arranjar um quarto em Benfica, com a ajuda da Santa Casa. No entanto, “o oficial de justiça queria despachar o assunto e dizia que não se podia esperar nem mais um dia”, pode ler-se na publicação.

“Tentámos obter mais alguns dias para se tentar encontrar uma solução nas imediações e, assim, o senhor Manuel permanecer integrado na sua comunidade, o que, com a sua idade é muito importante, mas a chamada “justiça” é implacável: sacos de plástico, retirar o senhor de casa, dois polícias a acompanhar e, pumba, para dentro do carro. E entretanto fomos identificadas pelos senhores/a polícias para registar a ocorrência”, aponta a organização, que lamenta não ter “conseguido mais do que isto”.

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