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Lula ainda mais à frente a um ano das presidenciais

Mesmo depois de condenado, ex-presidente sobe nas sondagens para eleições de 7 de outubro de 2018. Bolsonaro e Marina seguem-no. Mas há espaço para um candidato surpresa

A condenação a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro não afetou o desempenho de Lula da Silva nas sondagens para as eleições marcadas para de hoje a um ano. Pelo contrário: o presidente da República de 2003 a 2010 aumentou a vantagem para os adversários nos cenários propostos pelo Instituto Datafolha para a primeira e segunda voltas. Só na eventualidade, remota, de concorrer com o juiz que o condenou, Sergio Moro, a situação é de empate técnico.

O “fator Lula” continua, por isso, a ser a principal variável para as presidenciais: se o antigo sindicalista concorrer tem mais hipóteses do que ninguém de ganhar; mas a sua candidatura está em sério risco porque todos os dados apontam que o tribunal de segunda instância de Porto Alegre, que analisa a sentença de Moro, vai confirmar a pena e, com isso, impossibilitar o regresso de Lula à política. Nesse caso, o PT avançaria com Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo que continua périplo pelo Brasil em palestras. “O Lula já não é só Lula, o Lula é uma ideia”, disse o próprio em comício, preparando caminho ao sucessor.

Ainda à esquerda, a candidatura de Ciro Gomes, do PDT, também depende da participação ou não de Lula, para prosperar. A ambientalista Marina Silva, do Rede, com bons números nas sondagens – ocupa o terceiro lugar -, deve adiar até ao fim do ano o anúncio da sua candidatura, enquanto tenta fortalecê-la com o reforço de Joaquim Barbosa, juiz relator do escândalo do mensalão que antecedeu Sergio Moro no coração dos brasileiros.

À direita, o capitão na reserva Jair Bolsonaro, defensor do uso de armas, simpatizante do período conhecido como ditadura militar e considerado inimigo da comunidade LGBT, está nos Estados Unidos a conversar com setores ligados à alta finança. O objetivo é demonstrar que, apesar das ideias radicais no campo social, será melhor opção para os donos do capital do que Lula, o único que o precede nas sondagens.

O prefeito de São Paulo João Doria sofreu um revés ao surgir empatado com Geraldo Alckmin, governador de São Paulo. Até agora, as pesquisas eram o seu principal argumento para ser o escolhido dos “tucanos”, como são conhecidos os militantes do PSDB, em vez de Alckmin.

Doria, que vem sendo criticado por passar mais tempo em pré-campanha pelo Brasil do que em São Paulo, vai capitalizar a sua imagem no Círio da Nazaré, um dos maiores eventos religiosos do mundo, ao lado da estrela local Fafá de Belém. O candidato sublinha que viaja no seu avião particular e não à custa do contribuinte – para marcar a diferença, o mais recatado Alckmin faz questão de usar voos comerciais e ir para a fila como os demais passageiros.

A correr por fora no campo da direita está Henrique Meirelles, cujas possibilidades dependem da instável economia brasileira. Ministro das Finanças de Temer – e influente presidente do Banco Central na Era Lula – é elogiado pelas elites mas quase desconhecido no Brasil profundo. Contra isso, vem namorando os evangélicos, ou seja, 30% dos brasileiros.

Observadores acreditam porém que há espaço para um nome surpresa dada a forte taxa de rejeição aos candidatos conhecidos – nesse item, Lula também lidera com 42% de cidadãos que não votam nele em nenhuma circunstância. Os juízes Barbosa e Moro e o apresentador de TV Luciano Huck, cujo nome foi citado até pelo antigo presidente Fernando Henrique Cardoso, são os mais falados.

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