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Mãe adotiva de Fábio escreveu carta a denunciar a IURD

Márcia Panceiro revela esquema para enganar Justiça portuguesa na adoção de três irmãos.

Márcia Barbosa Panceiro, mulher do bispo Romualdo Panceiro, líder da IURD em Portugal, escreveu uma carta em que denuncia o esquema de adoções ilegais da IURD em Portugal.

A TVI avança que o documento manuscrito, de 15 páginas, revela como o casal recebeu Fábio, um dos três irmãos adotados formalmente por Alice Katz, secretária de Édir Macedo, nos anos 1990. “Fábio Miguel Tavares, foi-me entregue no Brasil no dia 8 de abril de 1997 para ser meu filho”, lê-se na missiva.

Na carta, Márcia, diz que Alice, a mulher que adotou formalmente os três irmãos costumava juntar os três irmãos para os ensinar a mentir ao tribunal português.

Isto porque a lei dizia que os três não podiam ser separados – o que não acontecia, pois Fábio vivia no Brasil e os irmãos mais velhos, Luís e Vera, ficaram aos cuidados de Edir Macedo, líder máximo da IURD e da sua mulher, Viviane.

Os três foram adotados em Portugal, alegadamente de forma ilegal.

Bispo conta a sua versão da história de Fábio em entrevista de 2014

Numa entrevista publicada no site da Igreja Universal do Reino de Deus, Romualdo contou a sua versão sobre a adoção de Fábio, um ano antes de este morrer de overdose nos Estados Unidos, em 2015, quando tinha 19 anos. “Nós adotámos o Fábio em 1998, quando ele tinha 2 anos.

Ele era português e quando tinha 6 anos, a Justiça de lá determinou que ele deveria voltar para a antiga responsável por ele [numa referencia a Alice Katz].

Eu estava em São Paulo quando isso aconteceu. A Márcia ia visitá-lo em Los Angeles, onde ele morava, mas não tínhamos condições de continuar nessa rotina.

A mãe que pegou a guarda dele dos 6 até 19 anos trabalhou a cabeça dele contra a gente, dizendo que nós é que não queríamos ficar com ele.

Ela mudou de casa e perdemos o contato com ele. Quando ele completou 18 anos, essa mãe o colocou na rua. Foi quando ele conheceu a droga e passou a dormir na rua.

Em 2013, fomos transferidos para Los Angeles e, em dezembro passado, ele achou a Márcia no Facebook. Ele pediu ajuda.

Nós o trouxemos para cá (Los Angeles), mas mesmo aqui connosco ele teve uma overdose.

Não foi fácil, já que, depois de 13 anos, o filho que havia sido entregue no Altar de Deus volta para a gente cheio de problemas.

Nós oramos por ele intensamente, até que, recentemente, eu fui inaugurar uma igreja em Boston e ele foi comigo.

Nesse dia, ele chorou por 40 minutos, como nunca havia feito antes.

Então, decidiu mudar. Ele disse para mim: “Pai, eu quero me batizar.”

Hoje, ele já é outra pessoa, assiste aos cultos todos os dias e está cada vez mais envolvido com as coisas de Deus”.

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