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Milhares protestam em despedida de Mahamudo Amurane

Corpo do edil de Nampula foi enterrado este sábado (07.10). Manifestantes exigiram justiça e rápida identificação dos autores. Representantes da sociedade civil reforçaram pedido, durante velório. MDM sofreu represálias.

O adeus a Mahamudo Amurane, edil da cidade de Nampula assassinado a tiros na última quarta-feira (04.07), foi marcado por protestos.

Numa manifestação diante do edifício do Conselho Municipal de Nampula, onde foi velado o corpo de Amurane, a população enlutada exigia justiça e a rápida identificação dos autores do crime. Em seguida, milhares de pessoas marcharam a pé por um percurso de cerca de cinco quilómetros, até o cemitério da Faina, onde foi enterrado o corpo do edil de Nampula.

Os manifestantes empunhavam faixas com os dizeres “queremos justiça”, “não haveram eleições aqui, preferimos morrer” e “mataram o nosso Messias”. O trânsito da região central de Nampula ficou paralisado por mais de duas horas. Também as lojas foram forçadas a encerrar as portas.

Cerimónia oficial
Em sua intervenção durante o velório, realizado no salão nobre do Conselho Municipal, Juma Cadria, responsável do Conselho Islâmico de Moçambique em Nampula, pediu a investigação célere do assassinato do edil, acrescentando “condenar de forma veemente este ato selvagem e bárbaro e rogar a allah [Deus] para que puna, neste e outro mundo, de forma exemplar os prevaricadores que protagonizaram este ato macabro”.

Falando em representação das organizações da Sociedade Civil moçambicanas em Nampula, um membro da mesma reconheceu o empenho do malogrado na causa dos cidadãos e da coletividade e disse que não se pode vacilar na investigação.

Quem também quer investigação e responsabilização imediata do assassinato do edil Amurane, é a Associação Moçambicana dos Municípios, que reconheceu o seu maior envolvimento no engrandecimento da organização.

“Queremos nessa altura exortar as autoridades competentes para que se investiguem e se esclareça de forma rápida e célere e se puna de forma exemplar para que esta situação não volte a se repetir no nosso país”, declarou Tagir Carimo, presidente da agremiação.

A família do edil de Nampula foi representada por seu irmão mais velho, que declarou que Amurane “sempre estará nas nossas memórias”. “Continuaremos a ser obedientes em tudo que nos ensinaste: Não à corrupção”, disse.

Silêncio sobre a investigação
Entretanto, o Governo moçambicano, através da ministra da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, não avançou se está em curso ou quando terá início uma investigação e responsabilização dos autores do crime – e muito menos apelou nesse sentido.

Namashulua limitou-se a elogiar o edil de Nampula e garantir que “o Governo de Moçambique reafirma que vai continuar a envidar esforços para o desenvolvimento deste município, bem como de outras unidades territoriais do nosso país”.

Ainda não são conhecidas as causas e nem os autores do assassinato do edil Amurane. Há suspeitas de motivações politico-partidárias, mas não há provas disso.
O presidente do Movimento Democratico de Mocambique, Daviz Simango, foi fortemente contestado nas cerimónias fúnebres e, por pouco, não foi agredido pelos manifestantes, tendo merecido a intervenção das forças de segurança.

Nem o MDM, nem outros partidos políticos tiveram a palavra durante o evento.

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