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Rússia, aqui vamos nós. Portugal está no Mundial de 2018

Seleção portuguesa necessita de um triunfo sobre a formação helvética para se apurar diretamente para o Campeonato do Mundo de 2018, na Rússia.

Um auto-golo de Djorou e um golo de André Silva carimbaram a passagem direta de Portugal para o Mundial de 2018 na Rússia, num jogo em que Cristiano não teve espaço para ser Ronaldo e Bernardo Silva assumiu a batuta da equipa das quinas.

Era uma final e as finais são para se ganhar. Há precisamente um ano e três meses, Portugal entrou no Stade de France para ser “simples como as pombas e prudente como as serpentes”, viemos a saber pela voz de Fernando Santos numa entrevista à agência Ecclesia, em que contava a passagem do Envagelho lida naquela manhã do dia 10 de julho, alguns dias depois de Cristiano Ronaldo erguer a taça em Paris. Na Luz, pedia-se a prudência mas humildade também. A serpente e a pomba ficavam personificadas no banco: Éder e Renato Sanches, jogadores fulcrais em França viam a formação campeã europeia a entrar em campo sentados entre os suplentes.

À meia hora de jogo não havia nada mais do que gritos de café “Ah se esta passa-se”. Como quando aos 28 minutos, após um canto da Suíça, a defesa de Portugal tira para a frente numa bola que ia direitinha para Bernanrdo Silva e que só parou na mão de Freuler, que, na altura, viu o primeiro lance do jogo.

Desta vez, Bernardo Silva estava destinado a ser pomba e serpente. Rápido e sem medo de partir para cima dos adversários, o médio que atua na Premier League começou a mostrar-se logo nos primeiros momentos de jogo nos bons entendimentos com Cédric Soares, que morriam por terra nos momentos do cruzamento que o defesa do Southampton tantas vezes falhou.

O jogo fazia-se intenso e duro como uma final pede. Bem disputado, só que sem lances de perigo. Até que, após uma saída de contra ataque, Seferovic é derrubado dentro da grande área lusa por Eliseu, seu companheiro de equipa no SL Benfica, que o deixou estendido do chão à espera do apito que desse a grande penalidade a favor da sua seleção. Ao invés, o defesa esquerdo português conseguiu fugir ao apito e lançou Portugal para um ‘contra contra’ ataque. Lá na frente, contudo, o que falhava continuava a falhar — João Mário falhou o remate, Ronaldo também — até que a bola caiu nos pés de Bernardo Silva, o menino que voltava a casa, que num remate cruzado atirou ao canto superior esquerdo da baliza suíça. Era a primeira vez que se via luz, na Luz. E foi também o momento da primeira grande defesa da noite e de Sommer ficar bem na fotografia.

A defesa suíça não mostrava ter os buracos que o seu tradicional queijo costuma incluir e o ataque português funcionava como um relógio pouco helvético. Pareciam ser suíços a mais, e duros de roer, para portugueses a menos. E tal não era por acaso. Recorde-se que, a par da Alemanha, a Suíça era a única equipa a chegar à última jornada desta fase da qualificação só com vitórias.

Mas Sommer não ia ficar bem na fotografia duas vezes seguidas. Perto dos 40 minutos Ronaldo insistia, mas Lichtsteiner não largava o português – e começava a fazer disso regra ao longo do jogo. Aos 41 minutos, após um corte do defesa suíço da Juventus sobre o capitão da seleção portuguesa, Eliseu pegou na bola perdida e cruzou para área onde um ‘cocktail’ de atrapalhação entre João Mário, Sommer e um defesa suíço terminou com o um autogolo. Djorou foi infortunado.

1-0 não era assunto arrumado e Seferovic, aos 45 minutos, de costas para a baliza ia fazendo abanar as redes que conhece tão bem. Ele que é o único suíço que pode dizer que está a jogar em casa.

A segunda parte começava com a classe de William Carvalho que, com mestria, fazia a bola passar por cima de um médio suíço, passa para João Mário que faz um cruzamento mau. Parecia diferente, mas afinal estava tudo igual. Tudo igual à primeira parte, tudo igual há um ano e três meses. A vencer com sorte e com o prejuízo imprevisível perto de acontecer a qualquer momento.

A Suíça começava a correr atrás do prejuízo e aos 50 minutos Shaqiri relembrou o aviso de Seferovic a Rui Patrício: não adormeças. Era um livre direto, mas o guarda-redes do Sporting CP estava atento.

Ronaldo precisava de espaço, do espaço que Lichensteiner não lhe dava. Eliseu passava, dava-lhe a bola, na sequência de uma bola soqueada por Sommer num livre, e o capitão, à procura de espaço, perdia a bola. Depois, João Mário dava-lhe a bola, mas o remate foi contra o defesa. Ainda depois, Bernardo Silva arrancou para a baliza, deixou a ‘redondinha’ à porta da área para CR7 que, desta vez com espaço, inclinou demais o corpo e atirou por cima da baliza.

Esta não era a noite do capitão. Era a noite dos mais novos e de um mais novo em especial, um que, no relvado da Luz, a balançar de um lado para o outro fazia lembrar Chalana. Bernardo Silva ia encurtar a geografia entre Portugal e a Rússia. Pelo lado direito João Moutinho, à entrada da área, deixou a bola para Bernardo em posição privelegiada, – num momento belo momento de escola monegasca -, dentro da área e colado à linha final, o médio, agora um citizen, olhou para o centro da área e meteu em André Silva que ao segundo poste, após uma pequena atrapalhação, colocou a bola dentro da baliza. Estava feito o segundo.

O resto do jogo foi história, foram pombas e serpentes. Antunes entrou para refrescar a defesa e André Gomes veio para o lugar de André Silva, que brilhou num excelente trabalho de sacrifício, a defender e a atacar durante todo o jogo. De meio campo reforça para reforçar o meio-campo. A Suíça colocava o explosivo Embolo dentro de campo e apontava Shaqiri à baliza lusa. Mas Pepe, à frente da armada, tornava infortuita qualquer tentativa de golo helvética.

E quando Ronaldo já era, sozinho, o homem mais avançado do jogo, mostrou que o jogo não era para ele. Sozinho, frente a frente a Sommer tentou fintar o guarda-redes que lhe saiu aos pés e roubou-lhe a bola.

No final, soubemos sofrer como temos mostrador sofrer. Fomos trapalhões. Defendemos. Fizemos o bonito. E no final ganhámos, como fizemos em França.

Rússia, aqui vamos nós.

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